Com a finalidade de incutir capacidade reflexiva no que diz respeito à realidade sócio-histórico-cultural brasileira, a FECAP incentiva, por meio de projetos pedagógicos, a discussão, a reflexão e a contextualização histórica dos mais importantes movimentos culturais da atualidade.
Em 2008, a instituição implantou com sucesso os "Diálogos Musicais". Este programa pretende promover discussões que permitam avaliar a Música Brasileira de múltiplas maneiras.
O mais novo Projeto da FECAP ambiciona falar de música, e também, convidar os participantes a sentirem, ouvirem, mais do que isso, viverem a música enquanto arte.
Coordenação: Profª Drª Simone Pereira - Sala 131 – BLOCO C
Ministrada pela Prof.a Dra. Simone Luci Pereira (FECAP e MUSIMID), que abordará aspectos da música popular no Brasil em suas relações com as questões sociais, políticas, econômicas e culturais desde o século XIX, passando pelo nascimento do samba, suas transformações, seus estilos, o rádio e a indústria de discos no Brasil, até chegar na Bossa Nova, nos anos 1960, refletindo também sobre a construção ideológica da noção de um país musical.
Ministrada pelo Prof. Ronaldo Fróes (FECAP). Diz o Prof. Ronaldo: Das esquinas de Minas Gerais para influenciar a música brasileira e ser reconhecida por grandes nomes da música mundial. A partir do início da amizade entre dois jovens em Belo Horizonte, um deles, Milton Nascimento, surge uma cena musical com grande destaque nos anos 70. Esta cena mostrou ao Brasil nomes como o próprio Milton, Beto Guedes, Lô Borges, Wagner Tiso, Toninho Horta, Flavio Venturini e outros, além de influenciar músicos da nova geração, como Skank. A partir do livro "Os sonhos não envelhecem" e das músicas, esta edição do Diálogos Musicais contará um pouco desta história.
Movimento musical e cultural, nascido no Rio de Janeiro (final da década de 1950), que se tornou um divisor de águas da MPB. Para além da música, representa também muitos aspectos sociais que o Brasil passaria a viver a partir dessa época.
Serão discutidas as relações entre música e futebol no Brasil como dois aspectos marcantes e fundantes da cultura e identidade brasileiras, abordando temas como: músicas que tratam de futebol, hinos de times, relações músicos/esportistas etc.
Apresentação de um panorama da MPB atual, seus rumos, principais aspectos musicais e culturais, relações com o mercado, a partir do olhar muito específico de um músico, atuante nesse cenário.
Discussão desse gênero musical, nascido nos anos 70/80, nas periferias do Rio de Janeiro, apresentando-se como música fruto da expressão das camadas populares dos grandes centros urbanos, e que deve ser entendida em seu aspecto cultural/antropológico.
"Queimada", de Gillo Pontecorvo, realizado em 1969 coloca os problemas e as desilusões que foram gerados a partir dos conflitos de libertação nas regiões que foram colônias dos países desenvolvidos. Na metade do século XIX, uma ilha do Caribe, um paraíso que o homem transformou num inferno. Escravos de vastas plantações de açúcar, cujos proprietários eram portugueses, estão prontos para transformar sua miséria em revolta. Os britânicos, percebendo a desestabilização do governo lusitano, enviam o agente William Walker (Marlon Brando) em uma missão tripla e desonesta: convencer os escravos a se rebelarem, tomar o comércio de açúcar para a Inglaterra e restabelecer o regime de escravidão. Com visual e narrativa impressionantes, "Queimada" tem o brilho e genialidade de um diretor. A maestria também está na interpretação complexa e inteligente de Marlon Brando, que vivi um homem que é, ao mesmo tempo, um cavalheiro e um patife, revolucionário e colonialista.
O Prof. Dr. Herom Vargas (IMES e Univ. Metodista) falou sobre o Mangue Beat, este importante movimento musical dos anos 1990, que levantou inúmeras questões acerca da renovação e das misturas existentes na música popular, nascido em Recife/PE e que misturou aspectos musicais locais, da tradição da cultura pernambucana aos ritmos e gêneros da cena global eletrônica. O autor abordou: a cena Manguebeat em Recife nos anos 1990 e sua importância no contexto local e para a música popular brasileira; os principais participantes do Mangue e suas características gerais; comentários sobre caso específico: as músicas de Chico Science & Nação Zumbi, um dos principais expoentes do mangue, e os aspectos de hibridismo que trazem; as misturas entre a tradição da música pernambucana (maracatu, coco, embolada e instrumentos de percussão) e os gêneros da black music norte-americana (rock, soul, rap e seus instrumentos típicos); o cenário de Recife, seus personagens e as questões de violência, crítica social e engajamento nas letras das canções; análise de exemplos musicais.
Os professores Ronaldo Froes e Ary Rocco (FECAP) falaram sobre o movimento BRock, como foi chamada a popularização do rock feito no Brasil na década de 1980, com seus principais protagonistas e suas especificidades. Este momento coincide, no Brasil, com a abertura política após 20 anos de ditadura militar, o período de redemocratização, com o movimento "Diretas Já" e a "Nova República", bem como a expansão e popularização de uma cultura jovem, ligada ao rock, o consumo, naquela época que ficou conhecida também como "geração coca-cola" ou "década perdida".
A Bossa Nova - que completa 50 anos em 2008 - movimento musical nascido em finais dos anos 1950, no Rio de Janeiro, se tornou um marco divisor de águas na música popular brasileira, sendo reconhecida e admirada internacionalmente. A Prof.a Dr.a Simone Luci Pereira (FECAP e MUSIMID) falou sobre a Bossa Nova, tanto em seus aspectos musicais e estilísticos, como também de sua conformação histórica, social e cultural – o Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960, abordando questões relevantes da época como a cidade do RJ, as noções de juventude, o desenvolvimento da indústria fonográfica no Brasil. Enfim, a Bossa Nova foi abordada não apenas como movimento musical nos anos 50/60, mas um novo estilo de vida, novas formas de ser e agir, de morar, de ver o mundo.
O prof. Dr. Marcos Napolitano (USP) analisou e discutiu a história e a historiografia dos festivais da canção e do tropicalismo na cena musical brasileira dos anos 1960. Inseridos num contexto sócio-cultural e político altamente conflituoso, estes eventos estão no centro do processo de institucionalização da chamada MPB (Música Popular Brasileira). A expressão (e a sigla) ganhou novo sentido nos anos 1960, canalizando boa parte das lutas culturais e projetos político-ideológicos que envolveram diversos atores sociais. Para além da qualidade óbvia e reconhecida das canções que marcaram aquela época, a conjuntura dos festivais da canção tornaram-nas eventos-síntese de uma época, com seus projetos históricos, dilemas e contradições, pois articulavam, a um só tempo, engajamento político e mercado.
Neste encontro tivemos a presença do músico João Ricardo, ex-Integrante do grupo Secos e Molhados, que teve grande sucesso nos anos 1970 e tem forte repercussão até os dias de hoje. Foi a primeira vez que tivemos um músico em nossos Diálogos Musicais, falando de seu métier, mostrando, assim, não penas uma visão acadêmica sobre o assunto, mas a experiência de quem a viveu intensamente. João Ricardo nos falou sobre a "Música Brasileira na década de 1970", que foi marcada musicalmente pela consolidação da sigla MPB, significando um tipo de canção de distinção social e estética e de cunho político-ideológico, em meio aos "anos de chumbo" do regime militar. Porém, esta também foi a década em que o rock nacional desponta como fenômeno musical a conquistar sucesso de massa. Em meio à forte hegemonia da MPB, nomes como Raul Seixas, Rita Lee e o próprio Secos e Molhados mostraram-se como sinais de vitalidade e criatividade numa linha musical-comportamental que incorporava elementos da contra-cultura, poesia de vanguarda e ousadias estéticas.